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IST e fertilidade masculina: o que cada infecção causa

  • Foto do escritor: Dr. Matheus Groner
    Dr. Matheus Groner
  • há 17 horas
  • 9 min de leitura


Infecções sexualmente transmissíveis não tratadas causam infertilidade permanente, muitas vezes de forma assintomática. A relação entre IST e fertilidade masculina é direta: a inflamação deixa cicatrizes que obstruem os ductos por onde passam os espermatozoides, impedindo a chegada ao óvulo.


A clamídia não tratada é a principal causa de obstrução tubária na mulher e de epididimite obstrutiva no homem. O HPV se liga ao espermatozoide e compromete a fertilidade mesmo sem verruga visível. Entender o que faz um andrologista ajuda a ver por que esse rastreamento cabe na investigação do casal.


Tratar IST e infertilidade masculina como assuntos separados é um erro que pode custar tempo. Este guia mostra o que cada infecção provoca, quais exames pedir e quando o dano ainda é reversível. Entenda como o Dr. Matheus Gröner pode atuar neste caso.


Por que as ISTs são subestimadas na investigação de fertilidade?


A maior parte das ISTs no homem são assintomáticas. Sem ardência, sem secreção e sem dor, não há gatilho para procurar exame, e a infecção segue trabalhando em silêncio.


Some-se a isso o desenho da investigação do casal. A avaliação costuma começar pela parceira, e o fator masculino é investigado em uma fração dos casos, o que atrasa o encontro de uma causa que estava ali desde o começo.


Segundo a Mayo Clinic, as ISTs podem cursar sem sintoma e levar a complicações, incluindo infertilidade, antes de qualquer diagnóstico.


Portanto, o resultado dessa combinação se torna previsível. A relação entre IST e fertilidade masculina só aparece quando o dano já se instalou, e aí o tratamento da bactéria não desfaz a cicatriz que ela deixou.


A importância do rastreamento


Por isso, o rastreamento deveria entrar na avaliação de fertilidade do homem por padrão, e não apenas diante de queixa. É um exame barato que evita uma investigação longa.


Há ainda um obstáculo que não é clínico. Falar de IST e fertilidade masculina na consulta esbarra no constrangimento, e o homem que omite uma exposição antiga tira do médico a informação que orientaria o pedido.


O consultório não é lugar de julgamento, e o dado importa mais que o pudor. Uma exposição de dez anos atrás pode ser a chave de um espermograma alterado hoje.



Clamídia e infertilidade masculina


A associação entre clamídia e infertilidade masculina é uma das mais bem documentadas entre as ISTs. 


A Chlamydia trachomatis é uma das infecções sexualmente transmissíveis bacterianas mais frequentes, especialmente entre adultos jovens. O CDC destaca que ela costuma ser assintomática, o que favorece a transmissão silenciosa. 


O que ela faz no homem?


O percurso costuma seguir uma sequência. A uretrite pode passar despercebida, a infecção ascende até o epidídimo e provoca inflamação. Com o tempo, essa inflamação deixa cicatrizes que obstruem o ducto por onde os espermatozoides passam.


Quando esse processo se repete ou acomete ambos os epidídimos, pode surgir uma azoospermia obstrutiva. O testículo continua produzindo espermatozoides normalmente, mas eles não conseguem chegar ao ejaculado. 


Trata-se de uma das consequências mais importantes das ISTs para a fertilidade masculina, causada por uma infecção que muitas vezes nunca provocou sintomas.


O rastreamento pode ser feito por PCR na urina ou no sêmen e está indicado na investigação da infertilidade masculina sem causa aparente.


O que ela faz na mulher?


Na parceira, a clamídia causa endometrite e salpingite, e a cicatrização das tubas leva à obstrução tubária. É a principal causa infecciosa desse tipo de infertilidade.


Também aqui o quadro costuma ser silencioso em 70% das mulheres infectadas, o que explica por que o diagnóstico chega tarde. Tratar apenas um dos dois devolve a infecção ao casal, e por isso o tratamento é sempre simultâneo.


A clamídia é o melhor argumento a favor de olhar com cuidado a relação entre IST e fertilidade masculina como um assunto do casal, e não de uma pessoa. 


Ela obstrui os dois lados, por mecanismos diferentes, e pode explicar sozinha uma infertilidade atribuída a "causa desconhecida". Por isso, é importante procurar uma orientação de um Urologista o quanto antes.



Gonorreia e infertilidade masculina


A gonorreia e a infertilidade masculina se conectam pelo mesmo mecanismo da clamídia, com uma diferença: a Neisseria gonorrhoeae costuma causar sintomas. Um deles é a uretrite purulenta, que incomoda o bastante para levar o homem a procurar atendimento médico.


Em teoria, esses sintomas favorecem o diagnóstico precoce. Na prática, nem sempre isso acontece. Quando o tratamento demora, a epididimite aguda pode deixar aderências, e a obstrução se instala. A cura bacteriana chega, mas o dano à passagem dos espermatozoides já pode estar estabelecido.


É essencial buscar uma orientação médica


Existe ainda a resistência crescente aos antibióticos, que tornou o tratamento mais rigoroso e reforça a importância do diagnóstico correto e do acompanhamento até a resolução da infecção. 


Tratar por conta própria, com sobra de antibiótico em casa, aumenta o risco de falha terapêutica e favorece o desenvolvimento de bactérias resistentes.


O diagnóstico pode ser feito por cultura ou PCR da secreção uretral ou da urina. São exames simples para identificar uma infecção que, quando tratada tardiamente, pode deixar sequelas permanentes na fertilidade masculina.


HPV no esperma e a qualidade espermática


O HPV no esperma e a qualidade espermática têm relação demonstrada. O vírus se liga à cabeça do espermatozoide por receptores específicos. É uma via distinta das demais em ISTs na interferência da fertilidade masculina: aqui não há obstrução, e sim dano ao próprio gameta.


O efeito medido é a redução da motilidade progressiva e o aumento da fragmentação do DNA, que é justamente o dano que o espermograma comum não mostra.


Os tipos de alto risco, como o 16 e o 18, presentes no sêmen aparecem associados a maior taxa de aborto espontâneo em ciclos de fertilização in vitro. Por isso o PCR de HPV no sêmen está indicado diante de falha de FIV sem outra causa.


Um ponto gera confusão frequente: cauterizar as verrugas não elimina o vírus do sêmen. São coisas distintas, e o detalhe está no conteúdo sobre HPV no homem e o seu impacto na fertilidade.


A vacinação entra aqui como a medida mais eficaz, e ela não é só para adolescentes. Homens adultos podem se vacinar, e a proteção contra os tipos de alto risco é o que o tratamento das lesões não oferece.


O HPV é o exemplo mais claro de por que IST e fertilidade masculina não se resolvem olhando só para o que aparece num espermograma comum. Um homem sem nenhuma verruga pode ter carga viral no sêmen, e só o exame dirigido revela isso.


Micoplasma e ureaplasma: evidência emergente


Mycoplasma genitalium e Ureaplasma urealyticum aparecem com frequência no sêmen de homens investigados por infertilidade. Tanto um quanto o outro são associados a alterações de motilidade e morfologia.


É importante fazer uma ressalva: a relação entre as bactérias e a infertilidade ainda é menos consistente do que a observada na clamídia e na gonorreia. A presença da bactéria não comprova que ela tenha sido responsável pelo problema. 


Porém, isso não torna o exame inútil. O PCR no sêmen é solicitado na infertilidade sem causa aparente, e o tratamento com doxiciclina ou azitromicina é simples e feito no casal ao mesmo tempo.


O que não cabe é atribuir toda a infertilidade a esse achado e parar de investigar. Dentro de IST e fertilidade masculina, este é um coadjuvante, não o protagonista.



Sífilis: menos impacto, mas triagem é obrigatória


O impacto direto do Treponema pallidum sobre a fertilidade masculina é menos documentado que o das outras infecções. Ele pode causar orquite, uma inflamação testicular que tem potencial de sequela sobre a produção.


Ainda assim, a principal razão para investigar a sífilis em homens com indicação de reprodução assistida não é o risco de infertilidade. O VDRL, principal exame de triagem para sífilis, integra os protocolos de reprodução assistida por causa do risco de sífilis congênita, que atinge o bebê e é evitável com tratamento.


Esse é um bom exemplo de que o rastreamento das ISTs não serve apenas para identificar causas de infertilidade. Ele também busca reduzir riscos para a gestação e proteger a saúde do bebê. 


Por isso, a investigação laboratorial das ISTs contempla essas três frentes: infecções que podem obstruir a passagem dos espermatozoides, comprometer sua qualidade ou representar risco para a gestação.


ISTs e reprodução assistida


Nenhum ciclo de reprodução assistida começa sem a investigação de infecções sexualmente transmissíveis. Com o objetivo de proteger a parceira, o futuro bebê e a segurança do procedimento, o protocolo inclui testes para:


  • HIV.

  • Hepatites B e C.

  • Sífilis.

  • Clamídia.

  • Gonorreia. 


Quando uma IST está ativa, o tratamento deve ser concluído antes do início da reprodução assistida. Após o tratamento, é necessário confirmar a cura microbiológica antes da coleta do material reprodutivo.


Essas medidas reduzem o risco de transmissão e garantem que o procedimento seja realizado em condições seguras.


O HPV no sêmen representa uma situação diferente. Sua investigação costuma ser considerada em casos de falha de FIV ou ICSI sem outra causa identificada. 


Quando o rastreamento é realizado adequadamente, o risco de contaminação embrionária permanece baixo,como detalha o guia sobre reprodução assistida com Urologista.


Vale entender também que uma IST pode alterar parâmetros do espermograma sem que ninguém desconfie da causa, e a leitura desse exame tem limites descritos em interpretação e limites do espermograma.


Rastreamento de IST no casal infértil


Uma DST sem sintomas pode afetar a fertilidade do homem e da mulher. Essas condições só são descobertas durante a avaliação da fertilidade ou antes de procedimentos de reprodução assistida. 


Por isso, o rastreamento de IST no casal infértil deve fazer parte da investigação. Antes da reprodução assistida, a  American Society for Reproductive Medicine (ASRM) recomenda essa avaliação para reduzir o risco de transmissão aos parceiros e à futura gestação. 


  • No homem: o rastreamento inclui PCR para clamídia e gonorreia na urina ou no sêmen, além de sorologias para HIV, hepatites B e C e sífilis. 

  • Na mulher: o rastreamento completo antecede qualquer procedimento.


Idealmente, a investigação é conduzida de forma integrada entre o Urologista, responsável pela avaliação masculina, e o Ginecologista ou especialista em reprodução humana, responsável pela avaliação feminina.


Quando uma IST é identificada, o tratamento deve ser realizado simultaneamente pelo casal para reduzir o risco de reinfecção. Após o tratamento, a confirmação da cura pode ser necessária antes do início da reprodução assistida.


Mesmo quando todos os exames são negativos, o rastreamento continua sendo importante. Ele permite excluir as ISTs como causa da infertilidade, direcionar a investigação para outros fatores e evitar atrasos desnecessários no tratamento do casal.



Consulte o Dr. Matheus Gröner, Urologista em Andrologia em São Paulo


Nada aqui deveria gerar culpa. ISTs são condições clínicas comuns, com diagnóstico simples e tratamento disponível, e a única postura que atrapalha é a de não investigar por constrangimento.


A investigação cruza o espermograma com o painel de ISTs, os hormônios e o exame físico. É aí que a relação entre IST e fertilidade masculina deixa de ser suposição e vira diagnóstico, com conduta definida para cada achado.


Formação do médico


O Dr. Matheus Gröner (CRM-SP 153016 I RQE 78587) é Urologista com atuação em Andrologia e Reprodução Humana, e inclui o rastreamento de infecções na avaliação do fator masculino. Ele é médico pela UFSCar e Doutor em Ciências pela UNIFESP.

Pela mesma instituição, é médico assistente e preceptor da residência médica em Reprodução Humana, além de membro do comitê de Andrologia da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH). 

Seu atendimento é realizado em São Paulo, na Consolação, com tratamento orientado ao casal quando a infecção é identificada.

Agende a sua consulta


Se vocês estão tentando engravidar, o rastreamento de infecções cabe na investigação desde o início, mesmo sem qualquer sintoma. É o exame que responde cedo o que, descoberto tarde, já não tem correção.


Agende sua consulta com o Dr. Matheus Gröner e inclua o rastreamento de ISTs na avaliação da fertilidade masculina.


As informações fornecidas neste texto são apenas para fins informativos e educacionais e não substituem a consulta médica. Sempre procure orientação médica para diagnóstico e tratamento adequados.​​


🏥 Endereço do Instituto Medicina em Foco: Rua Frei Caneca 1380, Consolação, São Paulo, CEP 01307-000. 


🕗 Horário de funcionamento: de segunda a quinta, das 8h às 21h; sexta das 8h às 18h.

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📲 Telefone para WhatsApp: (11) 93024-1065 - segunda a sexta, das 7h às 22h, sábados, das 7h às 14h.


Para mais informações, siga o Dr. Matheus Gröner nas redes sociais:



Conteúdo atualizado em 2026.


FAQ - Dúvidas frequentes sobre IST e fertilidade masculina: o que cada infecção causa


1. Como a clamídia no homem prejudica a fertilidade?


A uretrite assintomática sobe até o epidídimo, causa epididimite e a inflamação cicatriza. A cicatriz estreita o ducto e pode obstruir a saída dos espermatozoides.


2. IST sem sintoma pode causar infertilidade masculina?


Sim, e é o caso mais comum. A maior parte das ISTs no homem não dá sintoma, e o dano se instala em silêncio até aparecer num espermograma alterado.


3. Gonorreia não tratada causa azoospermia obstrutiva?


Pode causar. A epididimite aguda forma aderências que obstruem o ducto. Quando acomete os dois lados, o ejaculado fica sem espermatozoides, mesmo com o testículo produzindo.


4. O HPV no sêmen afeta a qualidade do esperma?


Sim. O vírus se liga ao espermatozoide, reduz a motilidade progressiva e aumenta a fragmentação do DNA. O efeito existe mesmo sem verruga visível.


5. Quais exames pedir para rastrear ISTs antes de tentar engravidar?


No homem: PCR de clamídia e gonorreia na urina ou sêmen, mais sorologias de HIV, hepatites B e C e sífilis. Na mulher, rastreamento completo antes de qualquer procedimento.


6. A sífilis causa infertilidade masculina?


O impacto direto é menos documentado, embora a orquite possa deixar sequela. A triagem é obrigatória na reprodução assistida, sobretudo pelo risco de sífilis congênita.


7. IST já tratada ainda pode afetar a fertilidade?


Sim. O tratamento elimina a bactéria, mas não desfaz a cicatriz. Uma infecção curada há anos ainda pode explicar uma obstrução encontrada hoje.


8. Micoplasma e ureaplasma no esperma prejudicam a fertilidade?


A associação com alteração de motilidade e morfologia existe, mas a relação causal é menos estabelecida que a da clamídia. É evidência emergente, e o tratamento é feito no casal.


9. IST e reprodução assistida: há riscos para o embrião?


Com rastreamento adequado, o risco de contaminação é baixo. Diante de infecção ativa, o ciclo é adiado até o tratamento completo e a confirmação de cura.


10. Parceiro assintomático com IST pode transmitir na FIV?


Por isso a triagem é obrigatória antes de cada ciclo. Ela identifica a infecção mesmo sem sintoma e permite tratar antes da coleta, protegendo a parceira e o embrião.

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