Espermograma: como interpretar cada parâmetro e o que fazer
- Cordoval Digital
- 6 de jul.
- 9 min de leitura
O espermograma é o exame mais importante da investigação de fertilidade masculina. Receber o laudo e entender o que cada número significa, porém, é outra história.
Concentração, motilidade e morfologia avaliam aspectos diferentes da fertilidade, e cada um conta uma parte do quadro. Um resultado alterado não significa, por si só, que a gravidez natural seja impossível.
Este guia explica cada parâmetro com base nos critérios da OMS e responde às principais dúvidas de quem acabou de receber o exame, ajudando a traduzir o laudo sem minimizar sua seriedade. Reconhecer quando a avaliação com especialista é necessária pode orientar os próximos passos com segurança.
O que é o espermograma
O espermograma analisa o sêmen para medir a quantidade e a qualidade dos espermatozoides. É o ponto de partida de qualquer investigação de fertilidade no homem.
É um exame simples, não invasivo e de baixo custo, o que o torna o primeiro passo lógico quando um casal tem dificuldade para engravidar. A partir do resultado, o médico decide se outros exames são necessários.
Como é feita a coleta
A coleta do espermograma é feita por masturbação em recipiente estéril, após 2 a 5 dias de abstinência sexual. Esse intervalo padroniza o resultado, porque tanto o excesso quanto a falta de abstinência alteram os números.
A partir disso, a amostra pode ser colhida na clínica ou em casa, desde que chegue ao laboratório em até uma hora, mantida próxima à temperatura corporal. A análise começa em até 60 minutos após a coleta.
Cuidados essenciais
Alguns cuidados evitam um resultado falso. Não usar lubrificantes ou saliva na coleta, respeitar a janela de abstinência e coletar a amostra completa são detalhes que mudam os números. Uma coleta parcial, por exemplo, subestima o volume e a contagem.
A janela de 2 a 5 dias tem uma razão: menos de dois dias tende a reduzir o volume e a concentração; mais de cinco pode aumentar o número de espermatozoides, mas com mais células mortas e menor motilidade. O intervalo recomendado equilibra esses efeitos.
Além disso, a padronização entre laboratórios interfere na análise. Variações de coleta, transporte e técnica podem modificar o resultado. Por isso, alterações devem ser avaliadas por um especialista para orientar a interpretação e os próximos passos.
Parâmetros do espermograma: o que cada um avalia
Cada parâmetro mede uma característica do sêmen. Os parâmetros da OMS sobre o espermograma da edição de 2021 são a referência atual e estão resumidos na tabela abaixo:
Parâmetro | Referência OMS 2021 |
Volume | 1,4 a 7,6 mL |
Concentração | ≥ 16 milhões/mL (ou ≥ 39 milhões por ejaculado) |
Motilidade progressiva (PR) | ≥ 30% |
Motilidade total (PR + NP) | ≥ 42% |
Morfologia (formas normais, critério estrito) | ≥ 4% |
Vitalidade (espermatozoides vivos) | ≥ 54% |
pH | 7,2 a 8,0 |
Leucócitos | < 1 milhão/mL |
Concentração
A concentração espermática indica o número de espermatozoides presentes por mililitro de sêmen. Segundo a referência da OMS 2021, espera-se pelo menos 16 milhões/mL ou 39 milhões no ejaculado total.
Quando o resultado está abaixo desse parâmetro, caracteriza-se Oligozoospermia, classificada como leve entre 5 e 15 milhões/mL, moderada entre 1 e 5 milhões/mL e grave abaixo de 1 milhão/mL. A ausência total de espermatozoides é chamada Azoospermia e requer investigação específica.
No entanto, a contagem não deve ser interpretada de forma isolada. Um paciente com concentração limítrofe, mas boa motilidade e morfologia no espermograma, pode apresentar melhor potencial fértil do que outro com contagem elevada e motilidade reduzida.
Oligozoospermia e Azoospermia
É importante diferenciar Oligozoospermia e Azoospermia. Na Oligozoospermia, há espermatozoides no ejaculado, embora em quantidade reduzida, e a conduta busca investigar causas e otimizar a produção espermática.
Na Azoospermia, não são identificados espermatozoides no ejaculado. Nesse caso, a investigação deve definir se a origem é obstrutiva, quando há bloqueio no trajeto, ou não obstrutiva, quando há alteração na produção testicular.
Motilidade espermática
A motilidade avalia o movimento dos espermatozoides, e há três tipos: progressiva, não progressiva e imóvel. A motilidade progressiva é a mais relevante, porque é ela que leva o espermatozoide até o óvulo.
A motilidade espermática normal definida pela OMS é de pelo menos 30% de progressivos, ou 42% somando progressivos e não progressivos. Quando está abaixo, há Astenozoospermia, associada a calor, infecção ou varicocele.
A motilidade é sensível a fatores externos e costuma ser o parâmetro que mais oscila entre coletas. Febre, uso recente de sauna, calças apertadas e até o tempo até o início da análise no laboratório influenciam o resultado.
Morfologia
A morfologia avalia a forma dos espermatozoides pelo critério estrito de Kruger, que exige pelo menos 4% de formas perfeitas. O resultado da morfologia do espermatozoide abaixo disso chama-se Teratozoospermia.
Este costuma ser um dos parâmetros mais supervalorizados na leitura do exame. Isoladamente, tem baixo valor preditivo e deve ser interpretada em conjunto com concentração, motilidade, volume seminal e contexto clínico do paciente.
Assim, o critério de Kruger, método usado para classificar a forma dos espermatozoides de maneira mais rigorosa, considera normal apenas o espermatozoide quase perfeito.
Por isso, valores de 4% a 14% são comuns em homens férteis, e um laudo de 3% ou 2%, isolado, não significa infertilidade nem impede a gravidez natural.
Volume, pH e liquefação
O volume normal do ejaculado fica entre 1,4 e 7,6 mL, e abaixo disso há Hipospermia. O pH situa-se entre 7,2 e 8,0, refletindo o equilíbrio das secreções que compõem o sêmen.
O sêmen sai coagulado e deve liquefazer em até 60 minutos após a coleta. Uma liquefação lenta pode dificultar a análise e, às vezes, o trânsito dos espermatozoides.
Um volume muito baixo, somado à ausência de espermatozoides, pode sugerir obstrução ou problema nas vesículas seminais. O pH alterado, por sua vez, ajuda a localizar onde está a falha na produção ou no transporte do sêmen.
Vitalidade e leucocitospermia
A vitalidade mede a porcentagem de espermatozoides vivos, com referência de pelo menos 54%. Ela ajuda a distinguir um espermatozoide imóvel, porém vivo, de um morto.
Os leucócitos devem ficar abaixo de 1 milhão por mililitro. Acima disso há leucocitospermia, sinal de possível infecção ou inflamação, o que indica uma cultura de sêmen para investigar.
A leucocitospermia nem sempre dá sintoma e costuma ser descoberta no próprio exame. Quando confirmada por cultura, tratá-la pode melhorar a qualidade do sêmen em uma coleta seguinte.
Espermograma alterado: o que significa na prática
Um espermograma com resultado alterado não define, isoladamente, infertilidade masculina. O exame deve ser interpretado em conjunto com a história clínica, exame físico, tempo de tentativa de gravidez e demais parâmetros seminais.
Na prática, o laudo orienta a investigação. Alterações em concentração, motilidade ou morfologia ajudam a identificar possíveis fatores envolvidos e a definir se há necessidade de repetir o exame, solicitar testes complementares ou indicar tratamento.
Um resultado ruim impede a gravidez natural?
Não necessariamente. Os parâmetros são estatísticos, não determinísticos: um valor abaixo da referência reduz a probabilidade, mas não fecha a porta da gravidez natural.
O peso é maior quando várias alterações se somam, como concentração, motilidade e morfologia baixas ao mesmo tempo. A leitura clínica contextualiza o laudo com a história do casal, e não trata um número isolado como diagnóstico.
Casais conseguem gravidez natural com parâmetros abaixo da referência, assim como casais com exames bons enfrentam dificuldade. Os valores do exame indicam uma estimativa de chance reprodutiva, mas não determinam se a gravidez natural pode ou não ocorrer.
Em paralelo à investigação, hábitos influenciam diretamente no resultado. Entre eles, estão:
Parar de fumar.
Reduzir o consumo de álcool.
Controlar o peso.
Evitar calor excessivo nos testículos.
Essas mudanças de hábito podem melhorar os parâmetros ao longo de alguns meses, já que a produção se renova de forma contínua. Contudo, não substituem o tratamento da causa, mas se somam a ele.
Vale a ressalva inversa: um espermograma dentro da referência não garante fertilidade. A dúvida sobre o que significa o resultado do espermograma só se resolve com a avaliação completa, não com a leitura crua dos números.
Quando repetir o espermograma?
O primeiro resultado alterado pede sempre uma repetição antes de qualquer intervenção. A produção de espermatozoides leva cerca de 74 dias, então o ideal é aguardar esse intervalo entre as coletas.
Doença, febre ou estresse recentes alteram o exame de forma temporária. Um episódio de gripe nas semanas anteriores, por exemplo, pode piorar o resultado sem que haja um problema permanente.
Por isso, decisões importantes não devem se basear em uma única coleta. Dois exames com algumas semanas de intervalo dão uma imagem mais confiável da produção do que um resultado isolado, e evitam tratamentos baseados em uma alteração passageira.
Quais exames complementam o espermograma?
Conforme o resultado, outros exames entram na investigação. A fragmentação de DNA espermático é indicada sobretudo quando o espermograma é normal, mas a gravidez não acontece.
Os hormônios (FSH, LH e testosterona) ajudam a investigar a causa, a cultura de sêmen é pedida na Leucocitospermia, e o cariótipo entra na Azoospermia ou na Oligozoospermia grave.
O ultrassom de bolsa escrotal com Doppler também é frequente, sobretudo para investigar varicocele, uma das causas mais comuns de alteração no exame. O conjunto de exames é montado conforme o que o resultado e a história clínica sugerem.
As causas por trás de um laudo alterado estão detalhadas em causas, exames e tratamentos da infertilidade masculina. A avaliação clínica com um Urologista qualificado permite identificar a causa e abrir caminho para o tratamento ideal.
Espermograma e reprodução assistida
O exame também orienta a escolha da técnica de reprodução assistida. O laboratório usa concentração, motilidade e morfologia para indicar o caminho mais adequado.
Concentração e motilidade muito baixas direcionam para a ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide), em que o espermatozoide é injetado no óvulo. A morfologia isolada baixa, com os demais parâmetros bons, ainda pode permitir a FIV convencional.
Em casos intermediários, a inseminação intrauterina pode ser tentada antes, desde que haja concentração e motilidade suficientes após o preparo da amostra. O exame, portanto, não só diagnostica: ele guia a escolha do tratamento mais adequado.
Vale reforçar que mesmo alterações importantes têm saída na reprodução assistida. A ICSI precisa de poucos espermatozoides viáveis e, na ausência total no ejaculado, a recuperação cirúrgica busca os espermatozoides direto no testículo ou no epidídimo. Poucos casos ficam de fato sem opção.
Na Azoospermia, sem espermatozoides no ejaculado, é necessária a recuperação cirúrgica de espermatozoides por MESA ou MicroTESE. A guideline da American Urological Association sobre diagnóstico e tratamento de infertilidade masculina descreve esse protocolo de investigação e as indicações de reprodução assistida.
Consulte o Dr. Matheus Gröner, Urologista em São Paulo
Se você recebeu um espermograma alterado e quer entender o que ele significa para as suas chances de gravidez, a avaliação é o caminho. O Dr. Matheus Gröner é Urologista com atuação em Andrologia e fertilidade masculina, com atendimento em São Paulo, na Consolação.
O profissional é Preceptor da Residência Médica em Reprodução Humana da UNIFESP e membro do comitê de Andrologia da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH).
Com o auxílio do Dr. Matheus Gröner, a leitura correta do exame evita tanto o alarme desnecessário quanto a falsa tranquilidade. Cada laudo é analisado e interpretado dentro do contexto do casal.
Agende a sua consulta
O Dr. Matheus Gröner interpreta o seu espermograma, solicita os exames complementares quando indicados e define o plano de tratamento.
Agende sua consulta com o Dr. Matheus Gröner e entenda o que o seu espermograma realmente indica.
As informações fornecidas neste texto são apenas para fins informativos e educacionais e não substituem a consulta médica. Sempre procure orientação médica para diagnóstico e tratamento adequados.
🏥 Endereço do Instituto Medicina em Foco: Rua Frei Caneca 1380, Consolação, São Paulo, CEP 01307-000.
🕗 Horário de funcionamento: de segunda a quinta, das 8h às 21h; sexta das 8h às 18h.
📞 Telefone para ligação: (11) 3289-3195 - segunda a sexta, das 9h às 18h, sábados, das 9h às 16h.
📲 Telefone para WhatsApp: (11) 93024-1065 - segunda a sexta, das 7h às 22h, sábados, das 7h às 14h.
Para mais informações, siga o Dr. Matheus Gröner nas redes sociais:
Conteúdo atualizado em 2026.
Matheus Ferreira Gröner I Urologia I CRM-SP 153016 I RQE 78587
FAQ - Dúvidas frequentes sobre Espermograma: como interpretar cada parâmetro e o que fazer
1. Espermograma normal mas sem gravidez: o que pode ser?
Um espermograma normal não garante fertilidade. A causa pode estar na fragmentação de DNA espermático, em fator feminino ou em uma combinação dos dois. A investigação do casal esclarece.
2. O que significa motilidade progressiva abaixo do normal?
Significa que menos espermatozoides nadam para a frente de forma eficaz, condição chamada astenozoospermia. Calor, infecção e varicocele são causas comuns, e a investigação define a conduta.
3. Morfologia espermática de 1% é muito ruim?
Está abaixo da referência de 4%, mas a morfologia isolada tem baixo valor preditivo. Lida junto com concentração e motilidade normais, ainda é compatível com gravidez, inclusive natural.
4. Espermograma com resultado ruim tem tratamento?
Em muitos casos, sim. Varicocele, infecções e alterações hormonais são tratáveis e podem melhorar o exame. O tratamento depende da causa identificada na avaliação.
5. Quantos espermatozoides por mL é considerado normal?
Pela OMS 2021, a referência é de pelo menos 16 milhões por mililitro, ou 39 milhões no ejaculado total. Abaixo disso há Oligozoospermia, classificada por gravidade.
6. Quanto tempo esperar para repetir o exame?
O ideal é aguardar cerca de 74 dias, tempo de um ciclo completo de produção de espermatozoides. Febre, doença ou estresse recentes pedem que se repita após a recuperação.
7. Espermograma e DNA espermático fragmentado são a mesma coisa?
Não. O espermograma avalia quantidade e movimento; a fragmentação de DNA mede a integridade do material genético. São exames complementares, e a fragmentação é pedida em casos específicos.
8. É melhor coletar na clínica ou em casa?
Os dois funcionam. Em casa, a amostra precisa chegar ao laboratório em até uma hora e próxima à temperatura corporal. A coleta na clínica elimina o risco do transporte.
9. Espermograma negativo após vasectomia: o que significa?
Significa ausência de espermatozoides, o resultado esperado após a vasectomia. É o exame que confirma a eficácia do procedimento antes de dispensar outros métodos contraceptivos.
10. Espermograma alterado afeta as chances de sucesso na FIV?
Pode afetar, mas técnicas como a ICSI contornam boa parte das alterações. Mesmo com concentração e motilidade baixas, a injeção do espermatozoide no óvulo mantém boas chances.





Comentários